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Aula inaugural do Cursinho Popular da Coletiva Mahin reúne lideranças e marca novo capítulo da luta pelo direito à educação no Engenho Velho da Federação

Foto do escritor: Coletiva Mahin
Coletiva Mahin
22 de jun.
4 min de leitura


Na noite da última quinta-feira (18), o bairro do Engenho Velho da Federação viveu um momento histórico com a realização da aula inaugural do Cursinho Popular da Coletiva Mahin. Cerca de 40 estudantes inscritas e inscritos, além de convidadas e representantes de movimentos sociais e instituições parceiras, estiveram presentes na sede da Associação de Moradores do Engenho Velho da Federação para participar da atividade, que teve como tema “Sonhos que se Organizam: da Comunidade à Universidade – Educação Popular, Desafios e Conquistas da Juventude Negra”.



A mesa de abertura foi conduzida pela coordenadora pedagógica do cursinho e integrante da Coletiva Mahin, Mirella Novaes, que abriu espaço para as falas da multiartista e poeta, Sued Hosaná, da representante da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas da Universidade do Estado da Bahia (PROAF/UNEB), Gleice Moreira, do presidente da Associação de Moradores do Engenho Velho da Federação, Edmilson Salles e da coordenadora executiva da Coletiva Mahin, Juliana Dias. Professoras e professores que integram a iniciativa também participaram do encontro.


A programação contou ainda com as participações da socióloga e pré-candidata a deputada estadual Vilma Reis, da professora doutora Nazaré Mota de Lima, da professora, mestra e ebomi do Terreiro do Cobre, Lindinalva Barbosa, da presidenta da UNEGRO Bahia Marina Duarte e da deputada estadual e pré-candidata a deputada federal Olívia Santana, que compartilharam experiências e reflexões sobre educação, pertencimento e transformação social.


Para o presidente da Associação de Moradores do Engenho Velho da Federação, Edmilson Salles, a iniciativa representa um marco para a juventude da comunidade. “Foi uma noite memorável. Tenho certeza de que vamos contribuir para que esses jovens se preparem para o futuro e para que o conhecimento seja um instrumento de transformação social, principalmente para a sociedade brasileira”, destacou. A chegada do Cursinho Popular ao bairro também foi celebrada pela coordenadora executiva da Coletiva Mahin, Juliana Dias. “Quando abrimos as portas deste espaço, estamos dizendo que a universidade também pertence ao povo negro, às periferias e às comunidades populares”, afirmou.




Durante sua fala, a professora e ebomi do Terreiro do Cobre, Lindinalva Barbosa, ressaltou que as conquistas do povo negro são resultado de séculos de luta. “Nós somos os sonhos de nossos ancestrais. A diferença desse cursinho é que aqui vocês não vão aprender apenas matemática, história ou língua portuguesa. Vão compreender também outros saberes que atravessam a nossa existência e que estão presentes no próprio Engenho Velho da Federação, território que guarda a memória e a resistência dos terreiros de candomblé”, afirmou.


A professora doutora Nazaré Mota de Lima destacou a importância de uma educação comprometida com a identidade e a história da população negra. “Queremos um cursinho que tenha raça, gênero, ações afirmativas, cultura negra e pertencimento. Um espaço que contribua também para corrigir a história”, disse. Já a socióloga Vilma Reis enfatizou a tradição da educação popular como ferramenta de emancipação. “Nós temos uma memória e métodos próprios de ensinar o nosso povo. É essa educação popular que contribui para que nossas juventudes entrem nas universidades e ajudem a transformar a sociedade”, afirmou.


A artista Sued Hosaná lembrou que a educação ultrapassa a dimensão econômica. “O processo da educação não muda apenas a vida no sentido financeiro. É um caminho que transforma nossa percepção de mundo”, declarou. Representando a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas da Universidade do Estado da Bahia (PROAF/UNEB), Gleice Moreira desejou aos estudantes uma trajetória de caminhos abertos, força e permanência ao longo do curso. 



Educação que emociona e inspira

Mais do que apresentar o funcionamento do curso, a aula inaugural emocionou as pessoas presentes. Para a estudante Viviane Santos, a atividade foi um verdadeiro encontro de esperança e identificação. “Eu achei que seria apenas uma apresentação do curso, mas foi muito além. Ouvir pessoas do próprio Engenho Velho da Federação, pessoas negras, periféricas, que conseguiram acessar a universidade e transformar suas vidas, me emocionou profundamente. Não eram exemplos distantes, eram pessoas como nós. Saí dali com a certeza de que não devemos desistir dos nossos sonhos”, relatou.




Viviane também destacou a importância de ver mulheres negras da comunidade ocupando lugares de liderança, como a coordenadora pedagógica Mirella Novaes. “Saber que ela é daqui, nascida e criada no bairro, e está à frente desse projeto é algo muito importante para mim. A noite me mostrou que nós podemos ir além”, afirmou. O sentimento de pertencimento ao território também foi ressaltado pela presidenta da UNEGRO Bahia, Marina Duarte. “Eu nasci no antigo Hospital Salvador e o primeiro lugar para onde me trouxeram, depois de sair do hospital, foi este bairro, para o Terreiro do Bogum, pois sou tataraneta de Mãe Runhó. Então, a minha história é parte deste território”, contou.


Política pública de acesso à universidade

O Cursinho Popular da Coletiva Mahin é realizado em parceria com a Associação de Moradores do Engenho Velho da Federação, a UNEGRO Bahia e o Terreiro do Cobre, integrando a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), por meio de uma política pública do Ministério da Educação e do Governo Federal. A iniciativa busca ampliar o acesso da juventude negra, periférica e de baixa renda ao ensino superior, articulando preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com formação cidadã, valorização da cultura negra e fortalecimento do pertencimento comunitário.


Durante a aula inaugural, a  coordenadora pedagógica do cursinho e integrante da Coletiva Mahin, Mirella Novaes informou aos estudantes que a turma receberá módulos didáticos produzidos pela UNEafro Brasil, organização parceira da Rede Nacional de Cursinhos Populares. “Todo esse esforço reforça nosso compromisso com uma educação popular, antirracista e antilgbtfóbica, comprometida com a transformação social. O curso é um espaço de acolhimento, troca e construção coletiva e será um lugar para onde vamos querer voltar, mesmo quando estivermos cansadas, porque acreditamos na força de aprender e caminhar juntas”, concluiu.





 
 
 

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